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DIVISÃO DOS ESTILOS LITERÁRIOS

   Ao longo da história literária brasileira, podemos destacar dois momentos básicos:

  • Literatura do período colonial (1500 - 1822)

  • Literatura do período nacional (1822 - aos dias atuais)

CRONOLOGIA DOS MOVIMENTOS LITERÁRIOS NO BRASIL

DATA MOVIMENTO MARCO INICIAL
1601 Barroco Publicação de Prosopopéia, poema de Bento Teixeira 
1768 Arcadismo Publicação de Obras, de Cláudio Manuel da Costa 
1836 Romantismo Publicação de Suspiros poéticos e saudades, de Gonçalves de Magalhães 
1881 Realismo / Naturalismo Publicação dos romances O Mulato de Aluísio Azevedo, e Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis 
1822 Parnasianismo Publicação de Fanfarras de Teófilo Dias 
1893 Simbolismo Publicação de Missal e Broqueis, de Cruz e Souza 
1902 Pré-modernismo Publicação de Os Sertões de Euclides da Cunha 
1922 Modernismo Realização da Semana de Arte Moderna, na cidade de São Paulo 

   A preocupação religiosa foi um tema constante na literatura barroca, que no Brasil desenvolveu-se durante o século XVII. A primeira obra barroca brasileira foi o poema Prosopopéia (1601), escrito por Bento Teixeira. Esse poema tem como assunto as façanhas guerreiras de Jorge de Albuquerque Coelho, que foi donatário da capitania de Pernambuco. Esse poema tem valor apenas histórico, pois seu nível literário é muito fraco. 
   Os principais autores barrocos brasileiros são Gregório de Matos e o padre Antônio Vieira.
   Gregório de Matos Guerra nasceu na Bahia, em 1633, e faleceu em Recife em 1696.  É o mais importante poeta brasileiro do século XVII.  Escreveu poesias amorosas, satíricas e religiosas.  Não teve nenhum livro publicado em vida, e o que conhecemos de sua obra é fruto de pesquisas em coletâneas publicadas ao longo dos séculos.  Ainda há dúvidas sobre a autenticidade de muitos poemas que lhe são atribuídos.  Por sua crítica feroz a sociedade da época, recebeu o apelido "Boca do inferno".
   O padre Antônio Vieira nasceu em Lisboa, em 1608 e faleceu na Bahia, em 1697.  Destacou-se como um grande orador religioso e deixou seu nome na história da literatura por ter escrito sermões admiráveis, dentre os quais podemos citar o Sermão da sexagésima, onde apresenta uma teoria da arte de pregar, o Sermão de Santo Antônio ao peixes, a respeito da escravidão do índio, e o Sermão do mandato, em que trata do amor místico de Cristo.
   No século XVIII, surgiu um novo estilo literário - O Arcadismo.  Diferente dos poetas barrocos, os árcades expressam uma visão mais materialista da existência, pregando o gozo do momento presente, os prazeres do amor físico, numa vida simples em contato com a natureza.  O desejo de identificação com a figura dos pastores levou os poetas árcades a adotar pseudônimos gregos e latinos.  O próprio nome arcadismo foi inspirado em Arcádia, região da Grécia onde, segundo a mitologia, pastores e poetas viveriam uma existência de amor e poesia.  Por isso também é comum no Arcadismo a influência a seres da mitologia clássica, tais como ninfas, deuses etc.

   No Brasil, o Arcadismo encontrou expressão num grupo de poetas que viveram em Minas Gerais, em torno da região de Vila Rica (hoje Ouro Preto), durante o século XVIII.  Nessa época essa região era o principal centro econômico do Brasil em razão da descoberta do ouro e de diamantes.  Nos versos desses poetas, encontramos referências a muitos elementos típicos da paisagem brasileira, o que dá ao nosso Arcadismo certas características nativistas.  Os principais poetas árcades brasileiros são:  Cláudio Manuel da Costa, Tomás Antônio Gonzaga, Silva Alvarenga, Alvarenga Peixoto, Basílio da Gama e Santa Rita Durão. 

   Didaticamente falando o Arcadismo no Brasil começa em 1768, com a publicação do livro Obras, do poeta Cláudio Manuel da Costa.

  •    Principais obras do Arcadismo brasileiro:

- Obras (1768), livro de poesias de Cláudio Manuel da Costa

- O Uruguai (1769), poema de Basílio da Gama

- Caramuru (1781), poema de José de Santa Rita Durão

- Marília de Dirceu (1792), livro de poesias de Tomás A. Gonzaga

 

   Nasceu em Portugal em 1744 e morreu em Moçambique em 1810.  Viveu alguns anos no Brasil, depois foi estudar direito em Portugal voltando em 1782 como ouvidor de Vila Rica.

   Sob o pseudônimo árcade de Dirceu, Gonzaga escreveu poesias líricas que falam de seus amores pela pastora Marília, pseudônimo criado por ele para se referir à jovem Maria Dorotéia Seixas Brandão, de quem estava noivo.  Essas poesias formam o livro Marília de Dirceu, no qual, além da confissão de seus amores, o poeta expressa o ideal árcade de viver uma experiência calma e feliz em contato com a natureza, ao lado de seus amigos pastores e cuidando de seus rebanhos, bem diferente aliás da vida quotidiana que levava, em meio a processos jurídicos e livros da lei. 

   Nasceu em Minas Gerais em 1729, e aí morreu em 1789.  Deixou um livro de poesias líricas (Obras, 1768) soneto épico (Vila Rica, publicado em 1837) e obras de menor importância.  A parte mais destacada de sua produção são as poesias líricas, que revelam um poeta de expressão contida, influenciado pelos autores do Classicismo, sobre tudo Camões.  Seu pseudônimo árcade era Glauceste Satúrnico..
   O Romantismo foi um movimento literário de grande repercussão na literatura ocidental e particularmente no Brasil, constituiu uma etapa decisiva na formação de nossa literatura e vida cultural.  Existe uma característica que distingue o escritor tipicamente romântico de todos os outros - o gosto pela confissão plena dos sentimentos, das emoções que povoam seu mundo interior.  É no século XIX que ela atinge maior intensidade, tornando-se um elemento identificador do Romantismo como estilo de época.  O ano de 1836 marca o início do Romantismo brasileiro, quando ocorre a publicação do livro de poesias Suspiros Poéticos e Saudades, de Gonçalves de Magalhães, considerado nossa primeira obra romântica.

   O Romantismo predominou durante cinqüenta anos aproximadamente e pode ser considerado o período do verdadeiro nascimento da nossa vida literária.

 

O DESENVOLVIMENTO DO TEATRO NO ROMANTISMO

   A influência dos hábitos culturais da Corte portuguesa transferida para o Rio de Janeiro em 1808, é um dado fundamental para se compreender a valorização do teatro junto ao público brasileiro.  Companhias portuguesas de teatro e ópera passaram a visitar o Brasil periodicamente difundindo o gosto por esse tipo de atividade artística, criando condições parta que em 1830 surgisse um movimento em prol da criação de um eatro brasileiro.  Esse movimento teve no ator e empresário João Caetano (1808 - 1863) a figura mais importamte.  Ele fundou em 1833 a Companhia Dramática Nacional e em 1834 deu a seu teatro o nome de Teatro Nacional.  Em 1836, o poeta Gonçalves de Magalhães entregou-lhe a peça Antônio José ou o Poeta e a Inquisição, encenada em 1838, que representa a primeira obra teatral de assunto e autor brasileiro.  Em 1843, cria-se o Conservatório Dramático e em 1855 o Teatro Ginásio Dramático renova o entusiasmo em favor do teatro brasileiro, recebendo apoio de escritores da época. 

AUTORES E OBRAS PRINCIPAIS

   Martins Pena (1815-1848) - Grande comediógrafo, alcançou muito sucesso junto ao público.  A línguagem e o ambiente de suas peças são predominantemente populares e retratam de forma viva e pitoresca o Rio de Janeiro da época.  Suas peças mais famosas são: "O Juiz de Paz na Roça" (1842), "O Judas em Sábado de Aleluia" (1846), "Os Irmãos das Almas" (1846), "O Noviço" (1853), "Os Dois ou O Inglês Maquinista" (1871).
   Joaquim Manoel de Macedo (1820-1882) - Foi membro ativo do Conservatório Dramático do Rio de Janeiro, tendo escrito muitas comédias do cunho social, das quais a mais famosa é "A Torre em Concurso" (1863).
   Gonçalves Dias (1823-1864) - Consagrado como um de nossos melhores poetas do Romantismo, seu nome é lembrado na história do teatro brasileiro como autor de um drama histórico importante "Leonor de Mendonça" (1847).

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